Eu posso ser homem e mulher ao mesmo tempo? Isso seria gênero fluido, não? Mas as outras pessoas pod
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Eu posso ser homem e mulher ao mesmo tempo? Isso seria gênero fluido, não? Mas as outras pessoas podem me chamar de homem e mulher nos dias que eu estou confortável com tal gênero? Ou o gênero fluído é alguém que "flui" para os outros gêneros mas nao tem nenhum então não pode se considerar homem ou mulher?

Olá. Ótimas questões todas essas.
Podem existir tantos gêneros quanto pessoas no mundo. A forma como cada um vai se relacionar com o seu corpo e como se sente em relação a sexualidade varia enormemente. A ideia de binariedade: ser homem ou mulher, vestir rosa ou azul tem sido há anos questionada. Não existe apenas uma forma de ser homem nem apenas uma forma de ser mulher, existem pessoas que não se identificam nem como homem nem como mulher. Se essa é uma questão que te interessa, sugiro a leitura de textos de Paul Preciado, que é uma das pessoas interessantíssimas que pesquisa gênero. Fico à disposição para conversar também.
Podem existir tantos gêneros quanto pessoas no mundo. A forma como cada um vai se relacionar com o seu corpo e como se sente em relação a sexualidade varia enormemente. A ideia de binariedade: ser homem ou mulher, vestir rosa ou azul tem sido há anos questionada. Não existe apenas uma forma de ser homem nem apenas uma forma de ser mulher, existem pessoas que não se identificam nem como homem nem como mulher. Se essa é uma questão que te interessa, sugiro a leitura de textos de Paul Preciado, que é uma das pessoas interessantíssimas que pesquisa gênero. Fico à disposição para conversar também.
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Olá, como dizia o psicanalista, Jean Laplanche, “o gênero é plural. É geralmente duplo, com o masculino-feminino, mas não o é por natureza. É muitas vezes plural, como na história das línguas e na evolução social”. Podemos dizer que a sexualidade infantil não é inata, ao contrário, “ela surge dentro de um diálogo, de uma ternura, de uma troca adulto-criança”.
O que os outros dizem de você geralmente é norteado por padrões que imperam em uma certa cultura. na verdade, só você mesmo, pode, e deve dizer quem você é realmente. Para a psicanálise, todo ser humano é bissexual, logo, a possibilidade de transitar entre os gêneros é plenamente possivel.
Recomendo você procurar um profissional especializado, para melhor compreender essa posição que você se coloca. Um grande abraço, e estarei à disposição…
O que os outros dizem de você geralmente é norteado por padrões que imperam em uma certa cultura. na verdade, só você mesmo, pode, e deve dizer quem você é realmente. Para a psicanálise, todo ser humano é bissexual, logo, a possibilidade de transitar entre os gêneros é plenamente possivel.
Recomendo você procurar um profissional especializado, para melhor compreender essa posição que você se coloca. Um grande abraço, e estarei à disposição…

Olá! A sexualidade é um campo que sempre desperta um misto de fascinação e nebulosidade. Como bem o demonstra Michel Foucault, na série de estudos consagrados à história da sexualidade, não é surpreendente que ela continue sendo um dos aspectos de nossas vidas mais atravessado pela regulação bem como pelo desconhecimento. Isto se impõe à nossa contemporaneidade, apesar da aparente autonomia do tema e liberalidade dos comportamentos a ele associados nos tempos atuais. Clinicamente, isto nos indica que a escuta psicanalítica é saber distinguir, a cada gênero, aquilo que se apresenta na lógica da demarcação do perímetro (o gozo fálico) e, sempre ao lado disso, aquilo que a isto escapa, colocando alguém que se apresente como macho, fêmea, travesti, gay, transformista, bissexual ou transgênero. A Psicanálise tem como princípio o inconsciente, a ideia de que não somos conduzidos pela razão, mas por algo que está situado em outro plano. Espero que você busque auxilio psicanalítico, te desejo saúde e paz.

Olá! Tudo bem?
De forma sucinta, posso citar que a sexualidade, bem como, este corpo que foi e que é erotizado - impregnado de libido -, tudo isso diz, muito sobre sua história de vida, sua constituição psíquica, e sobretudo ao que a psicanálise chama de sua SUBJETIVIDADE e seu modo de existir e de se expressar no mundo. A imposição de regras, senso comum e padrões, mais do que nunca tem sido repensada e re-elaborada cada qual à sua maneira. A psicanálise e seu modo subversivo de estimular novos pensamentos e novos pontos de vista pode ser um caminho interessante e viável para você falar sobre seus questionamentos e sobretudo, o modo que se identifica enquanto gênero binário ou não binário.
Procure caminhos seguros para falar e elaborar o que vem sentindo, mesmo que este sentimento esteja aparentemente no campo do não nomeável em primeiro momento.
Espero ter ajudado de alguma forma!
Que você encontre ajuda especializada para sua questão.
Abraços,
Denise
De forma sucinta, posso citar que a sexualidade, bem como, este corpo que foi e que é erotizado - impregnado de libido -, tudo isso diz, muito sobre sua história de vida, sua constituição psíquica, e sobretudo ao que a psicanálise chama de sua SUBJETIVIDADE e seu modo de existir e de se expressar no mundo. A imposição de regras, senso comum e padrões, mais do que nunca tem sido repensada e re-elaborada cada qual à sua maneira. A psicanálise e seu modo subversivo de estimular novos pensamentos e novos pontos de vista pode ser um caminho interessante e viável para você falar sobre seus questionamentos e sobretudo, o modo que se identifica enquanto gênero binário ou não binário.
Procure caminhos seguros para falar e elaborar o que vem sentindo, mesmo que este sentimento esteja aparentemente no campo do não nomeável em primeiro momento.
Espero ter ajudado de alguma forma!
Que você encontre ajuda especializada para sua questão.
Abraços,
Denise

Se entendo bem, você se preocupa, por se sentir fluido entre os sexos, de talvez não ser reconhecido como nenhum deles, e assim, sem sexo? Quê angústia? A divisão da humanidade entre dois sexos é onipresente, pense só na gramática. No entanto, ela é apoiada pela natureza só numa pequena parte (não somos animais), o resto é fabricado, culturalmente. Isto pode significar para você que as pessoas com nenhum ou com pouco preconceito podem muito bem reconhecer a sua ambiguidade, fluidez, sem por isso diminuir o seu peso como pessoa. Talvez pelo contrário. Mas as pessoas com preconceito podem não entender. Procure interagir mais com aquelas sem preconceito. Se você ainda precisa, você mesm@, ganhar mais clareza a respeito da divisão dos sexos e da sua fluidez, procure saber. Você pode ganhar a força necessária para aguentar os preconceitos.

Ei ! Interessante essa questão que dá desdobramento para várias sessões de análise. Gênero é uma construção social. O que é ser mulher e o que é ser homem são as sociedades e as culturas que determinam. Com isso, conforme a mudanças culturais esses valores vão mudando. Cada sujeito inserido na cultura vai aos poucos se identificando com o que é o ser na cultura, entende ?
Se isso é uma preocupação sua, de até entao, não se identificar com nenhum deles. O interessante seria procurar práticas para se fortalecer. Por exemplo, fortalecer a sua identidade social para que se sinta mais confortável com você, com suas escolhas. Assim conseguindo, se necessário for, se posicionar como homem ou mulher .
Se isso é uma preocupação sua, de até entao, não se identificar com nenhum deles. O interessante seria procurar práticas para se fortalecer. Por exemplo, fortalecer a sua identidade social para que se sinta mais confortável com você, com suas escolhas. Assim conseguindo, se necessário for, se posicionar como homem ou mulher .

Olá! Esses questionamentos são válidos, pois parecem uma tentativa de compreender melhor o que se passa contigo. Mais que a teoria é importante contextualizar isso na sua história, pois é o que vai auxiliar a acomodar esses sentimentos dentro de ti. A identificação de gênero, assim como a sexualidade, é construída sobre aquilo que se passa na relação entre a criança e os adultos que a cuidam e que transmitem mensagens inconscientes a esta criança, que tentará traduzí-las com o auxílio da cultura na qual está inserida. Todos esses aspectos farão parte da constituição psíquica de uma pessoa e inflenciarão a sua identificação de gênero.

gênero fluido é uma forma de expressão de gênero que significa que a pessoa não se identifica com apenas um gênero fixo, mas sim com vários gêneros ou com nenhum gênero em particular. Algumas pessoas que se identificam como gênero fluido podem se sentir mais confortáveis com certos gêneros em determinados momentos e com outros gêneros em outros momentos.
Algumas pessoas gênero fluidas se identificam como homem e mulher ao mesmo tempo, enquanto outras se identificam com gêneros que não são binários, como não-binário, gêneroqueer ou gênero livre.
É importante notar que a identidade de gênero é uma coisa pessoal e subjetiva, e cada pessoa pode expressar e entender o seu gênero de maneira diferente. A forma como as pessoas se referirem a uma pessoa gênero fluida é uma questão de respeito e deve ser baseada nas preferências da pessoa.
A pessoa gênero fluida pode se referir a si mesma como homem e mulher, mas também pode não se sentir confortável se identificando com nenhum gênero específico e prefere ser chamada de forma neutra. É importante perguntar ou seguir as orientações de como alguém gostaria de ser chamado e respeitar a sua escolha.
Algumas pessoas gênero fluidas se identificam como homem e mulher ao mesmo tempo, enquanto outras se identificam com gêneros que não são binários, como não-binário, gêneroqueer ou gênero livre.
É importante notar que a identidade de gênero é uma coisa pessoal e subjetiva, e cada pessoa pode expressar e entender o seu gênero de maneira diferente. A forma como as pessoas se referirem a uma pessoa gênero fluida é uma questão de respeito e deve ser baseada nas preferências da pessoa.
A pessoa gênero fluida pode se referir a si mesma como homem e mulher, mas também pode não se sentir confortável se identificando com nenhum gênero específico e prefere ser chamada de forma neutra. É importante perguntar ou seguir as orientações de como alguém gostaria de ser chamado e respeitar a sua escolha.

Olá olá! A sua angústia deriva da falta de uma definição ou da própria fluidez (que já é uma definição, ainda que não seja heteronormativa)? É algo a se pensar! De toda forma fica a sugestão de leituras dos colegas que tb responderam e recomendo fortemente um acompanhamento analítico. Por mais que a questão te traga menor ou maior angústia penso que seja uma temática de muito peso e um momento semanal de análise pode te ajudar enormemente! Esse trabalho não é uma promessa, mas algo a ser construído. E pela demanda que você traz é uma construção importantíssima.

Oi tudo bem com você? Veja que você se preocupa com sua imagem ao olhar do outro, além do seus próprios sentimentos. Para além de um "rotulo" é importante você se compreender e poder significar tua existência. Essa resposta não é literária e objetiva, é da sua experiência em se reconhecer em essência. Acredito que é um momento de descobertas, angustias, muitas dúvidas e talvez baixa autoestima, mas também pode ser um momento de crescimento, autoafirmação e posicionamento diante da vida. Considere investir numa terapia, análise, que poderão contribuir muito para esse momento da sua vida!
Um abraço, e boa sorte na sua caminhada!!!
Um abraço, e boa sorte na sua caminhada!!!

Olá! Parece que seus questionamentos permeiam questões de identidade. A sociedade coloca muitos nomes que podem nos ajudar a construir nossas identidades. No entanto, talvez eles não deem conta de tudo. Um processo de análise ou uma psicoterapia podem possibilitar que você se escute e encontre sua forma de se colocar no mundo, podendo fazer uso do que já está posto, mas também construindo o seu jeito singular de ser!

"O termo sexualidade fluida refere-se a pessoas que oscilam entre orientações sexuais e podem não se identificar com apenas uma orientação. Te teve a oportunidade de fazer uma sessão com Psicanalista? A Psicanálise mais atua entre o entendimento e o equilíbrio entre o consciente e o inconsciente, o real e o abstrato.

Quanto à identidade de gênero, hoje é amplamente discutido quantas existem e se é possível numerar e nomear a todas elas. É possível, inclusive, sem nem homem nem mulher. A sua identidade - da qual seu gênero e sexualidade são uma PARTE - é única, singular, irrepetível. Elaborar em análise como você se vê, por onde e de que forma transita nos espectros da sexualidade pode ser uma experiência muito enriquecedora para você organizar essas ideias. Estou à disposição. Boa sorte na sua busca!

Sim, é possível se identificar como gênero fluído, o que significa que sua identidade de gênero é fluida e pode mudar ao longo do tempo. Como gênero é uma construção social, não há uma definição única de gênero fluído e as experiências das pessoas que se identificam como tal podem variar amplamente.
Algumas pessoas que se identificam como gênero fluído podem se sentir confortáveis em serem chamadas tanto de homem quanto de mulher, dependendo do dia ou da situação. Outras podem preferir um conjunto de pronomes neutros, como "they/them" ou "ze/hir". Algumas pessoas podem sentir que não têm nenhum gênero em particular e preferem ser consideradas fora do binário de gênero.
É importante lembrar que a identidade de gênero de cada pessoa é única e pode ser bastante complexa. É importante respeitar a identidade de gênero de cada pessoa e utilizar os pronomes e terminologia que elas preferem.

Olá, tudo bem? Você pode ser o que quiser. Homem, mulher, nenhum dos dois ou os dois. O que importa é como você se sente e como se relaciona num gênero ou outro. Não se prenda ao conceito, mas sim, ao desejo. Um abraço e se cuide!

O conceito de gênero é complexo e, nos últimos anos, temos visto uma maior compreensão e aceitação da diversidade de identidades de gênero. O gênero fluído é uma das muitas identidades de gênero que as pessoas podem experimentar.
Ser gênero fluído significa que uma pessoa não se identifica rigidamente como exclusivamente homem ou mulher, mas pode se sentir à vontade com diferentes identidades de gênero em momentos diferentes. Isso pode variar de um dia para o outro, de uma estação da vida para outra, ou mesmo dentro do mesmo dia. É uma experiência única para cada pessoa gênero fluído.
É absolutamente válido que você se identifique como gênero fluído e se sinta confortável com diferentes identidades de gênero em momentos diferentes. É importante lembrar que a identidade de gênero é pessoal e subjetiva, e só você pode determinar como se sente em relação a isso.
Quanto à forma como as outras pessoas devem tratá-lo, é uma questão de respeito e empatia. Se você compartilhar sua identidade de gênero com alguém, é razoável esperar que eles respeitem e utilizem os pronomes e termos de gênero com os quais você se sinta mais confortável em cada momento. Comunicar suas preferências de gênero às pessoas ao seu redor é uma maneira importante de garantir que você seja tratado com respeito e dignidade.
Lembre-se de que o apoio de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psicanalistas, pode ser valioso enquanto você explora sua identidade de gênero e suas emoções associadas a ela. Eles podem ajudá-lo a navegar por esses sentimentos e a desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com questões relacionadas à identidade de gênero, caso seja necessário.
Em resumo, ser gênero fluído é uma identidade de gênero válida, e você tem o direito de se identificar como tal. O importante é que você se sinta confortável e autêntico em relação a quem você é, e as outras pessoas devem respeitar suas preferências de gênero.
Ser gênero fluído significa que uma pessoa não se identifica rigidamente como exclusivamente homem ou mulher, mas pode se sentir à vontade com diferentes identidades de gênero em momentos diferentes. Isso pode variar de um dia para o outro, de uma estação da vida para outra, ou mesmo dentro do mesmo dia. É uma experiência única para cada pessoa gênero fluído.
É absolutamente válido que você se identifique como gênero fluído e se sinta confortável com diferentes identidades de gênero em momentos diferentes. É importante lembrar que a identidade de gênero é pessoal e subjetiva, e só você pode determinar como se sente em relação a isso.
Quanto à forma como as outras pessoas devem tratá-lo, é uma questão de respeito e empatia. Se você compartilhar sua identidade de gênero com alguém, é razoável esperar que eles respeitem e utilizem os pronomes e termos de gênero com os quais você se sinta mais confortável em cada momento. Comunicar suas preferências de gênero às pessoas ao seu redor é uma maneira importante de garantir que você seja tratado com respeito e dignidade.
Lembre-se de que o apoio de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psicanalistas, pode ser valioso enquanto você explora sua identidade de gênero e suas emoções associadas a ela. Eles podem ajudá-lo a navegar por esses sentimentos e a desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com questões relacionadas à identidade de gênero, caso seja necessário.
Em resumo, ser gênero fluído é uma identidade de gênero válida, e você tem o direito de se identificar como tal. O importante é que você se sinta confortável e autêntico em relação a quem você é, e as outras pessoas devem respeitar suas preferências de gênero.

De modo geral, o gênero fluido designa aquele sujeito que transita de um gênero para outro, mas não se fixa permanentemente em nenhum deles. Contudo, sua pergunta me parece um pouco teórica. Seria interessante saber qual o teor subjetivo ou íntimo dessa pergunta, ou seja, em que momento você se encontra na história de sua sexualidade.

Cada pessoa pode ser como quiser. Independentemente das nomenclaturas. Você pode ser uma pessoa para a qual ainda não existe um nome ou você pode se ver dentro de vários nomes. O principal, nessa questão de gênero, é cada um se sentir bem com a forma como deseja se expressar. Abraço.

Entendo suas dúvidas, e é importante lembrar que o gênero é uma construção pessoal e única. O conceito de gênero fluido se refere a quem pode se identificar com diferentes gêneros em momentos distintos, conforme se sente. Você tem o direito de ser quem você é, independente das definições sociais. Buscar um espaço seguro para se explorar é essencial, e se sentir confortável com quem você é é fundamental. Se precisar de apoio para entender melhor seus sentimentos, fico à disposição. Cuide-se

Essa é uma pergunta muito rica e carregada de questões identitárias profundas, que lidam diretamente com as nuances do ser e do pertencimento. Na perspectiva da psicanálise, antes de etiquetarmos ou buscarmos uma definição fixa para fenômenos tão singulares, o mais importante seria explorar o que significa, para você, "ser homem" e "ser mulher" — como essas identificações se constroem dentro da sua experiência psíquica, quais camadas afetivas, simbólicas e sociais estão em jogo quando você sente que habita essas posições.
Nosso discurso interno sobre identidade está intrinsecamente ligado aos nossos processos inconscientes, à maneira como nos relacionamos com nossas figuras parentais e também como nos constituímos no desejo e na linguagem. Isso quer dizer que a ideia de "ser homem" ou "ser mulher" não é apenas algo que vem de uma escolha ou de um "sentir"; trata-se de uma construção complexa, moldada por momentos de identificação ao longo da vida, fantasias inconscientes ligadas ao desejo, à sexualidade, e até ao lugar que ocupamos na dinâmica social e familiar.
No seu caso, você apresenta uma inquietação importante: é possível habitar os dois polos identitários ao mesmo tempo? Ou, de forma ainda mais central, essas identificações precisam ser exclusivas ou definitivas? Pela via psicanalítica, poderíamos dizer que a identidade sexual (ou de gênero) não é algo tão rígido quanto as convenções sociais às vezes tentam nos fazer acreditar. Ela pode ser vivida de forma plural, contraditória e até paradoxal, afinal, nosso inconsciente não é regido pelas lógicas da "coerência". Assim, você pode, sim, se perceber como homem e mulher ao mesmo tempo, ou como alguém que transita entre essas categorias, porque em última instância o que realmente está em questão é a forma como você organiza o conjunto de sentidos internos que atribui ao seu próprio "eu" e como deseja ser reconhecido pelo outro.
Agora, quando você pergunta sobre o gênero fluido, penso que é importante destacar que, mais do que um rótulo ou uma definição estática, o conceito de fluidez, como ele costuma ser entendido, implica a liberdade de transitar — de não estar preso a um único sentido de identidade de gênero. Isso não quer dizer que um gênero fluido "não tenha gênero", mas, ao contrário, pode significar que essa experiência se movimenta pelos polos do masculino, do feminino ou por configurações que estejam fora dessas categorias binárias. Sendo assim, alguém que se reconheça como fluido pode, sim, habitar momentos em que se sente "homem" ou "mulher" plenamente e exigir esse reconhecimento por parte dos outros. O importante é entender que você tem a autonomia de configurar a sua expressão de gênero de acordo com o que faz sentido para você, e as pessoas ao seu redor — na medida em que compreendem o valor da empatia e do respeito — podem, sim, acolher e utilizar os pronomes ou identificações que você sentir que melhor correspondem ao modo como você se sente naquele momento ou contexto específico.
Porém, há algo que merece consideração: quando você reflete sobre o que as outras pessoas podem ou devem fazer a respeito disso, está trazendo à tona o lugar do Outro na sua constituição identitária. Isso é essencial, porque nossa identidade não existe num vazio; ela é social, discursiva, construída não apenas por quem acreditamos ser, mas também pela forma como lemos o olhar dos demais. Dito isso, é legítimo que você queira ser reconhecido de acordo com o gênero que sente ou vivencia em cada momento, mas também precisa reconhecer que o mundo externo, enraizado em normas e hábitos sociais (por vezes inflexíveis), pode nem sempre corresponder plenamente às suas expectativas. A maneira como você lida com essa tensão — entre o modo como você se percebe e o modo como os outros o veem — será um espaço importante de trabalho interno, porque pode trazer angústias, mas também possibilidades de uma construção mais autônoma e livre de quem você é.
Por último, pense que suas perguntas não precisam ser respondidas com regras fixas, como "é isso ou aquilo". Talvez seja mais enriquecedor, psicanaliticamente falando, se permitir explorar como essas diferentes identificações ressoam dentro de você, em vez de se prender a conceitos rígidos sobre o que "deveria" ou "não deveria" ser gênero fluido, homem, mulher ou qualquer outra definição. O mais importante não é encontrar uma resposta única ou definitiva, mas entender o que essas questões despertam em você, onde ela toca suas fantasias, seus desejos e o modo como você constrói sua relação consigo e com o mundo ao redor. Essa fluidez pode ser menos uma dúvida a ser "resolvida" e mais um convite para você habitar as várias dimensões do seu ser.
Nosso discurso interno sobre identidade está intrinsecamente ligado aos nossos processos inconscientes, à maneira como nos relacionamos com nossas figuras parentais e também como nos constituímos no desejo e na linguagem. Isso quer dizer que a ideia de "ser homem" ou "ser mulher" não é apenas algo que vem de uma escolha ou de um "sentir"; trata-se de uma construção complexa, moldada por momentos de identificação ao longo da vida, fantasias inconscientes ligadas ao desejo, à sexualidade, e até ao lugar que ocupamos na dinâmica social e familiar.
No seu caso, você apresenta uma inquietação importante: é possível habitar os dois polos identitários ao mesmo tempo? Ou, de forma ainda mais central, essas identificações precisam ser exclusivas ou definitivas? Pela via psicanalítica, poderíamos dizer que a identidade sexual (ou de gênero) não é algo tão rígido quanto as convenções sociais às vezes tentam nos fazer acreditar. Ela pode ser vivida de forma plural, contraditória e até paradoxal, afinal, nosso inconsciente não é regido pelas lógicas da "coerência". Assim, você pode, sim, se perceber como homem e mulher ao mesmo tempo, ou como alguém que transita entre essas categorias, porque em última instância o que realmente está em questão é a forma como você organiza o conjunto de sentidos internos que atribui ao seu próprio "eu" e como deseja ser reconhecido pelo outro.
Agora, quando você pergunta sobre o gênero fluido, penso que é importante destacar que, mais do que um rótulo ou uma definição estática, o conceito de fluidez, como ele costuma ser entendido, implica a liberdade de transitar — de não estar preso a um único sentido de identidade de gênero. Isso não quer dizer que um gênero fluido "não tenha gênero", mas, ao contrário, pode significar que essa experiência se movimenta pelos polos do masculino, do feminino ou por configurações que estejam fora dessas categorias binárias. Sendo assim, alguém que se reconheça como fluido pode, sim, habitar momentos em que se sente "homem" ou "mulher" plenamente e exigir esse reconhecimento por parte dos outros. O importante é entender que você tem a autonomia de configurar a sua expressão de gênero de acordo com o que faz sentido para você, e as pessoas ao seu redor — na medida em que compreendem o valor da empatia e do respeito — podem, sim, acolher e utilizar os pronomes ou identificações que você sentir que melhor correspondem ao modo como você se sente naquele momento ou contexto específico.
Porém, há algo que merece consideração: quando você reflete sobre o que as outras pessoas podem ou devem fazer a respeito disso, está trazendo à tona o lugar do Outro na sua constituição identitária. Isso é essencial, porque nossa identidade não existe num vazio; ela é social, discursiva, construída não apenas por quem acreditamos ser, mas também pela forma como lemos o olhar dos demais. Dito isso, é legítimo que você queira ser reconhecido de acordo com o gênero que sente ou vivencia em cada momento, mas também precisa reconhecer que o mundo externo, enraizado em normas e hábitos sociais (por vezes inflexíveis), pode nem sempre corresponder plenamente às suas expectativas. A maneira como você lida com essa tensão — entre o modo como você se percebe e o modo como os outros o veem — será um espaço importante de trabalho interno, porque pode trazer angústias, mas também possibilidades de uma construção mais autônoma e livre de quem você é.
Por último, pense que suas perguntas não precisam ser respondidas com regras fixas, como "é isso ou aquilo". Talvez seja mais enriquecedor, psicanaliticamente falando, se permitir explorar como essas diferentes identificações ressoam dentro de você, em vez de se prender a conceitos rígidos sobre o que "deveria" ou "não deveria" ser gênero fluido, homem, mulher ou qualquer outra definição. O mais importante não é encontrar uma resposta única ou definitiva, mas entender o que essas questões despertam em você, onde ela toca suas fantasias, seus desejos e o modo como você constrói sua relação consigo e com o mundo ao redor. Essa fluidez pode ser menos uma dúvida a ser "resolvida" e mais um convite para você habitar as várias dimensões do seu ser.

você pode o que quiser
uma análise seria muito importante nessa travessia.
boa sorte
uma análise seria muito importante nessa travessia.
boa sorte

Entendo que caiba muitas nuances dentro do chamado gênero fluido, porém, todas marcadas pela não rigidez em relação a performance atribuída socialmente a cada gênero (feminino/masculino). É possível transitar entre um gênero e outro sem se fixar, ou mesmo não se sentir pertencente a um gênero especifico, habitar as possibilidades designadas a ambos ao mesmo tempo, um corpo possível de habitar aparentes contradições diante do socialmente estabelecido, rompendo com a dualidade de gênero imposta.
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